Olá mundo!
Olá mundo!???
Por Arthur Meucci
Olá mundo!???
A que mundo este “Olá” do WordPress esta endereçado? Ao meu? A realidade em si-mesma? Ou ao seu, caro leitor?
Uma saudação tão banal, comum e impensada já me traz alguns problemas iniciais para tratar. Que mundo é este para o qual o blog esta dizendo “Olá”? Que mundo será retratado aqui?
Bom, comecemos este blog resolvendo esta simples questão. Primeiramente não podemos nos dirigir ao mundo em si-mesmo. Afinal, a palavra mundo é um significante cujo significado é impreciso, ou até mesmo inexistente. “Mundo” é o mundo físico? Limita-se a Terra ou abrange todo o Universo? Seja como for, a totalidade deste mundo físico, material, não tem a capacidade de perceber nada. Ele está ai, é como é, e nem tudo o que está no planeta Terra ou no Universo acessa a internet e lê o que eu escrevo. Apesar de ser filósofo, e viajar muito nas idéias, ainda não cheguei à demência de conceber uma cadeira lendo e comentando meus textos.
O “Olá mundo!” também não deve remeter, aqui, ao significado “Olhe o mundo como ele é”. Apesar de ainda existir muitos jornalistas acéfalos e cientistas ingênuos não posso aceitar, após ler Kant, que o homem consiga revelar o mundo como ele é. Somos impossibilitados, pelos sentidos e pela mente, de conhecer a coisa-em-si mesma. Só temos perspectivas fenomênicas desta tal “realidade” que nos afeta através dos sentidos e de nossas estruturas mentais. Infelizmente o “Olá mundo!” neste blog ,ou em qualquer outro, não diz respeito a uma “realidade” em si mesma cognoscível.
Esse mundo a quem o “olá” se endereça é o seu? Bom, esta idéia me parece mais razoável. Como o autor deste blog pode falar sobre o seu mundo, caro leitor? Se aceitamos a incapacidade de conhecer o mundo como ele é, e se o mundo para nós é uma perspectiva subjetiva, como podemos falar de um mesmo mundo? Como intelectual sou portador de certa arrogância. Porém, minha arrogância não chega ao ponto de dizer o que o seu mundo é, ou mesmo como ele deve ser. Logo, este “olá” não esta, em princípio, direcionado a você.
É claro que você poderia recorrer a famosa máxima fenomenológica “esse est percipi” (ser é ser percebido) de Berkeley. Afinal, temos que concordar que o mundo é “aquilo que você percebe”, logo este texto faz parte do seu mundo. Cada um reconstrói o texto de maneira singular, e ao reconstruí-lo para si, segundo a maneira como entende, passa a ser co-autor dele. Aceito que, em parte, este texto, como todos os outros aqui publicados, também será seu. Faz parte do seu mundo, portanto. Porém, apesar de você reconstruir este texto, ele não é exatamente seu. Não é você quem o escreve, mas sim quem reconstrói o que esta escrito. Escrito por outra pessoa. Eu!
Acho que resolvemos parte do enigma. Se sou Eu quem escreve, é o meu mundo que se apresenta neste blog. São as minhas perspectivas do mundo que serão relatadas. O título do meu espaço, “Crítica Filosófica”, se refere a um tipo de crítica sobre os acontecimentos que permeiam o mundo. O mundo daquele que escreve. Um mundo que provavelmente também o cerca, caro leitor. E nossa reflexão também esta inclusa no subtítulo: Filosofando sobre o mundo que “nos” afeta. O “nos”, entre aspas, possui dois significados: Primeiro significado, este espaço não abriga somente textos de minha pessoa, Arthur Meucci, mas também de outros que eu achar conveniente publicar. O segundo significado se refere ao fato de que toda a reflexão aqui exposta é uma reflexão subjetiva. Uma reflexão baseada em como sentimos o mundo nos afetar. É uma postura particular, uma perspectiva. Um ponto de vista parcial segundo a interpretação do mundo que se apresentou àquele que escreve um texto neste ciberespaço. Tentativas desesperadas de traduzir afetos em palavras.
Seja bem-vindo, caro leitor, a se deliciar com nossas reflexões. Não se apequene. Faça os comentários que achar pertinente. Participe!
19 Dezembro, 2007 às 3:18 pm
E essa verdade, que é nossa própria percepção da realidade, alterar-se-á. Não é estática.É assim para tudo e para todos.
A lei de ação e reação por exemplo funciona para as contelações mais distantes até nas nossas escolhas do dia-a-dia.
Acredito que certas coisas nos faz ser unos com o universo, quanto mais compreendemos as leis da vida que nos cercam. Funciona para toda a existência.
19 Dezembro, 2007 às 4:07 pm
Mago Arthur,
Parabenizo pela sua construtiva iniciativa. Com certeza será realmente de grande valor a leitura de seu conteúdo.
Serei um leitor assíduo.
Renato Papis
19 Dezembro, 2007 às 5:22 pm
Primeiro, gostaria de parabeniza-lo pela clareza da explanação.
Segundo, dizer que isso que vc expôs é uma realidade, mas eu acredito que a percepção da realidade, como mencionado, não corresponde apenas às manfestações químicas do cérebro.
“A verdade será compreendida pelo nivel de desenvolvimento de cada um”, por isso como a lei da vida é universal, cabe até mesmo para o intimo dos pensamentos e se ampliará conforme tomamos o aprendizado sobre a verdade.
Naquele livro “transformações da consciência” – Ken Wilber, o ulitmo estado de consciência ocorre pela completa integração e identidade enre a forma manifesta e a ausencia da forma não-manifesta, a consciência, finalmente, redesperta para sua permanencia anterior e eterna como Espirito absoluto, radiante, penetrante, um em muitos, unico e todo – logo, é um com o universo.
Cristo menciona “eu e o Pai somos um”…esse é o estado de consciência maxima que dá sentido ao estado ultimo uno com o universo.
A lei é a mesma para as estrelas e para os bichos.
As leis do universo não sao apaticas a nos, elas se misturam a nos pelas circunstancias do dia-a-dia e manifestamo-nas pelos nosso grau de consciência.
8 Janeiro, 2008 às 5:14 pm
Olá Arthur
Não vou fazer comentários filisóficos ao teu artigo,mas gostei e penso que o entendi.Será?!…
Parabéns. Continua.
Beijos
Luz