O Racismo Institucionalizado na Indústria de Cosméticos
O Racismo Institucionalizado na Indústria de Cosméticos
Por Arthur Meucci
Uma matéria publicada no jornal espanhol ” El Pais” (17/09/2008) revelou que as empresas farmacêuticas e de cosméticos Unilever, Nivea, L’Oreal, Procter and Gamble, The Body Shop, Avon, Clinique e Revlon vendem produtos que prometem CLAREAR A PELE DE NEGROS, INDIANOS E ASIÁTICOS. Segundo reportagem das agências internacionais grandes empresas como a Unilever e a Avon estão fazendo MEGA campanhas publicitárias na África e na Ásia com a seguinte mensagens: “ser branco é mais bonito, atraente e puro do que ter pele escura”.
Propagandas como o do sabonete Dove (Unilever), shampoos fabricados pela Nivea, P&G, L’Oreal Paris, entre outras citadas, prometem belezas para todas as peles, fazem estrondosas campanhas midiáticas de responsabilidade social. Se dizem preocupações com nossa saúde e bem-estar. Porém, como todas as megas corporações capitalistas, fabricam produtos PERGIOSOS e utilizam propagandas RACISTAS para aumentarem seus lucros em países menos desenvolvidos. Estes produtos, vendidos por tais corporações, são responsáveis atualmente por inúmeros casos de deformação de pele em adolescentes, além de complicações que levaram a morte por intoxicação e câncer de inúmeras pessoas.
Segundo o El Pais e a Reuters Internacional alguns países da África tentam proibir a venda de produtos que tenham como mensagem, ou finalidade, mudanças estéticas que envolvem estereótipos ligados a “raça”. Não só pelo conteúdo racista, mas também pelos grandes efeitos nocivos à saúde humana. Porém, o forte lobby destas empresas e o poderio da câmara de comércio americano dificultam a adoção de tais práticas. Por outro lado, não sabemos se estas empresas envolvidas realmente consideram negros, pardos e asiáticos seres humanos para se preocuparem…
A única coisa que podemos fazer frente a tais informações é exigir explicações e reparações destas empresas (Unilever, Nivea, L’Oreal, Procter and Gamble, The Body Shop, Avon, Clinique e Revlon), repassar estas informações para o maior número de pessoas possíveis, e deixar de comprar produtos destas empresas monstruosas. A cada Gillette, Dolve, Nivea, Omo, Ariel, Ace, Seda, Confort, Closse-up, Clear, Axé, Arisco, Kibon, Rexona, Shampoo Garnier, perfume Giorgio Armani, Duracel, Vichy, Tampax, Fraldas Pampers, Oral-B e outros produtos destas empresas que compramos, estamos financiando o racismo e a morte fora do continente americano. Estamos condenando inúmeros africanos e asiáticos a problemas sérios de saúde, implicando até em risco de vida.
Quando aceitamos passivamente estas empresas, e seus procedimentos, estamos colaborando pela higienização étnica e econômica do mundo. Projeto este tão sonhados por diversos empresários capitalistas e seus políticos.
Por fim, quero convidá-los para ler o artigo e buscar mais informações na internet sobre o assunto.
Artigo On-line:
Racismo branco renasce com indústria cosmética na África e na Ásia
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2008/09/17/ult581u2789.jhtm
Empresas de Cosméticos chegam à Índia com produtos branqueadores
http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL46467-9356,00.html
Trechos dos artigos:
“A mulher indiana moderna é independente, dona de si – e não é obrigada a viver com sua pele escura.” (G1: Propaganda da Avon na Índia)
“O anúncio de White Beauty (beleza branca), um creme da Pond’s da filial indiana da UNILEVER. Priyanka Chopra, uma das atrizes mais bonitas e famosas de Bollywood, sofre porque seu namorado, Saif Ali Khan, o herói indiano do momento, foi embora com a outra bonita da filmagem, Neha Dhupla. A garota abandonada vai recuperar seu amor quando conseguir ter uma pele mais pálida – graças, é claro, a White Beauty.”
“« – É um escândalo, é um comercial muito racista que aumenta os preconceitos pela cor da pele», diz Subashini Ali, presidente da Aidwa, ala feminista do Partido Comunista da Índia, promotora da campanha contra o comercial. Para Unilever da Índia, «não há intenção de discriminar de maneira alguma. Como empresa valorizamos e respeitamos a diversidade de necessidades e aspirações de nossos clientes», diz seu porta-voz, Prasad Pradhan, que lembra que na Índia se usam tradicionalmente remédios caseiros para branquear a pele, e por isso a companhia só está trazendo um produto que o mercado demanda.”
“Para o professor da Escola de Administração Ross da Universidade de Michigan, estudioso da campanha da Unilever, Aneel Karnani, por sua vez, o anúncio reforça antigos preconceitos, «e não tradições INEXISTENTES». Karnani mostra-se preocupado também pelo sexismo da publicidade – «a mulher tem de estar bonita para satisfazer o homem» -, e lembra que a Unilever no Ocidente comercializa a marca Dove, responsável por uma campanha para «libertar a nova geração de estereótipos de beleza».
“Os cremes branqueadores enchem as prateleiras das lojas indianas, acessíveis a todos os bolsos, começando desde o equivalente a menos de 1 euro até várias dezenas de euros por um tubo de creme. E a grande maioria tem comerciais deslumbrantes. Uma infinidade de marcas locais, mas também Nivea, L’Oreal, Procter and Gamble, The Body Shop, Avon, Clinique ou Revlon comercializam seus produtos“
“… tem como premissa a exportação por parte dos EUA e de sua mídia da beleza branca e, ocasionalmente, a de mulheres negras de pele clara (e quanto mais clara melhor, vista a recente polêmica criada pelo suposto branqueamento, através do software Photoshop, da pele da cantora Beyoncé em um anúncio da L’Oreal)”
“«A África é o lixo dos cremes tóxicos, portanto mais baratos», afirma Mire, que acrescenta que como as pessoas os usam às escondidas só chegam ao médico quando os produtos tóxicos já causaram danos às vezes irreparáveis.
Se alguém, no Brasil, quiser comprar algum destes produtos indico algumas opções de compras on-line:
Vicky Pele Bi-White (Anúncio do produto: Testado em Asiáticos)
http://www.vichy.com.br/PT-BR/htmlref/produits/IWCC0001.html
Clareador de pele Vita (mais barato)
http://www.saudeja.com.br/clareadordepelecomfiltrosolar40gbuonavita,product,bv4402,dept,60330.aspx
Theraskin (Dizem que é de uma revendedora da Unilver. Não há confirmação)
http://sosni.com.br/html/modules.php?name=News&file=article&sid=4400
Linea Pelle (Anúncio: Com uma pele branca bonita de verdade)
http://www.epocacosmeticos.com.br/?acao=DT&prod_id=63949
Melanesse H Manutenção
http://www.epocacosmeticos.com.br/?acao=DT&prod_id=64518
18 Setembro, 2008 às 7:46 pm
Agora eu entendo integralmente o porquê de uma certa pichação que vi uma vez em cima de uma placa com propaganda de um cosmético. A pichação continha o seguinte dizer: “RACISTAS”. E Estava cobrindo um anúncio onde exibia uma bela mulher de traços caucasianos.
Mesmo por não haver nenhum conteúdo racista propriamente dito no anúncio, chega aos olhos do senso comum que nota-se que o padrão da mídia é exaltar a “beleza branca” como o padrão universal. Hoje vejo que, timidamente, ocorre uma desideologização desse tipo estereótipo de beleza. Vejo também outras formas de preocupação com a beleza da pele através da uniformização da cor da pele, como prometem alguns cosméticos, e não necessariamente “branqueando-a”.
Ao ver essas propagandas e essas campanhas publicitárias senti asco. Eles se aproveitam da situação e contexto social dos continentes africanos e asiáticos, afirmando a europa e o padrão caucasiano como ainda “produtores da beleza universal”, “único meio de beleza”, etc.
Preocupa-me também, como citado, o “sexismo”. Essa obrigação e ditadura da beleza para a mulher.
“A garota abandonada vai recuperar seu amor quando conseguir ter uma pele mais pálida – graças, é claro, a White Beauty.”
23 Setembro, 2008 às 7:00 pm
Interessante a análise.
Mais uma vez a ética hebraico-cristã ocupando seu devido espaço na formação do racismo contemporâneo.
Agora com a criação de produtos à lá Michael Jackson de branqueamento.
Paradoxal esta era de aversão ao termo “raça” e o momento mais alto do grito pelos Direitos Humanos ter um conceito estético com bases hebraicas-cristãs típicas. Ou será mesmo que a Naomi Campbell gostaria de ser branca?
25 Outubro, 2008 às 10:16 pm
Não vejo nada de errado em querer branquear o mundo, é uma visão diferente e deve ser respeitada, sem contar q oferecer a possibilidade de ficar branco deve ajudar na vendas… E se defender isso quer dizer q sou racista, então sou racista mesmo, escrevi isso até no questionario do ENEM, e infelizmente vivo num mundo onde não posso dizer isso em alto em bom tom, sem ser ameaça, e sei como estudante e cidadã q não sou a unica a pensar assim.
O branco é lindo, porem, infelizmente não é unico.
Li seu topico sobre os militares tb, eles são motivo de orgulho e respeito, e é um absurdo como eles vem sendo esquecidos, minha familia serve ao pais a gerações e gente q nem vc não respeita uma vida dedicada a ordem e disciplina.
Viva PSDB, viva Democratas, viva a Direita!!
bjus
7 Novembro, 2008 às 4:23 pm
Oi adorei a postagem e a forma como vc escreve. vou linkar seu blog ao meu pq acho q vc faz exatamente o que sempre tive vontade de fazer e venho tentando há alguns meses – discutir filosofia e cotidiano. A partir de hoje, vou ser figurinha repetida por aqui, se não se importa. Sucesso sempre. Beijo!
27 Novembro, 2008 às 12:00 pm
Olá,
O problema não é apenas o racismo e sim a negação da própria identidade. As pessoas de pele negra, parda, amarela procuram esse tipo de tratamento para se aproximar a um esterótipo e se afastar de si, sua cultura, sua família. Desse modo acreditam que serão felizes como mostra a publicidade (uma mulher linda , com um sorriso brilhante, vida perfeita; por exemplo).
A maioria das pessoas são alienadas. Crescemos com conceitos pré-definidos, que plantam em nossa mente. Quando conseguimos arrancar pela raíz esse “lixo” imposto pela sociedade, conseguimos enxergar além da realidade. Percebemos que somos mais felizes que as mulheres dos cartazes.
Você nasceu com a felicidade, mas a sociedade não deixa você enxergar isso.
31 Janeiro, 2009 às 4:01 pm
- Na minha opiniao, essa “coisa” de empresas grandes de cosmeticos, prometerem a pele mais claro aos negros eh totalmente anormal. Porq assim.. “Bruna” tem o ponto de vista dela. Eu tenho o meu ponto de vista. Mas um tem tem respeitar o outro! Se ela diz que nao pode falar em alta voz, na rua, o que ela pensa, entao va a luta, “Bruna”. Assim como os negros lutam para acabar com o preconceito! Assim voce podera comecar uma luta junto com os brancos, jah que eh isso que voce quer! beejus ;*
6 Fevereiro, 2009 às 10:59 pm
poxa vida… incriveis comentarios hen…
bom, sem querer ser mal educada, mas racismo e crime e pura ignorancia
somos todos feitos da mesma carne. que vai um dia, por sinal, apodrecer do mesmo jeito
com relação ao estereotipo de beleza, sabe-se ha muito que e o branco, mas uma coisa imposta, nao questiona, que acabou por ser a verdade dita.
por isso eu nao compro porcaria nenhuma dessas
viva a negritude!
15 Junho, 2009 às 9:04 pm
estou fazendo um trabalho sobre a avon e não sabia como que o racismo em outros paises era tão praticado e que influenciava na ora de vender e que as pessoas se preucupa tanto com a cor.Nos somos filhos do mesmo pai não tem motivos para terem preconceitos. sou ‘branca’ e não tenho preconceito de negros e me orgulho disso
22 Junho, 2009 às 8:44 pm
Se as mulheres tivessem mais o que fazer, não se preocupariam com essas bobagens. Infelizmente muitas mulheres não querem nada com nada. Trabalhar? Nem pensar. Elas fazem qualquer coisa pra ficar no bem bão. Somente em minha rua, de 80 metros, contei mais de 10 mulheres que são inúteis, vivendo na vagabundagem. Elas clareiam a pele para achar um macho para sustentá-la. Vale qualquer coisa, todo tipo de arma para ganhar dinheiro na moleza. Mulher pra mim tem que trabalhar e ajudar o marido. Se ficar na vadiagem leva porrada. Infelizmente há uma enormidade de otários que se deixam levar por um rostinho bonito e se esquece das verdadeiras qualidades de uma mulher. É isso!
24 Julho, 2009 às 11:25 pm
“Bruna” se sente injustiçada por não poder expor sua opinião. Mesmo assim ela não tem a dignidade de se pôr no lugar do outro, q não tem o direito de ser aceito como é. Isso é inaceitável. O q não quero pra mim, não quero pros outros. E ainda se diz cidadã. KKK!! Não sabe nem o que é cidadania!!